A Boa Alma de Setsuan

A peça A Boa Alma de Setsuan, de Bertolt Brecht, foi escrita durante o exílio do autor, quando fugiu da Alemanha nazi. Por esse motivo, a obra foi iniciada na Dinamarca (1938) e concluída na Finlândia/EUA (1941). Conta-nos a história de Chen Té, uma jovem pobre que vive na cidade chinesa de Setsuan. Certo dia, os deuses visitam a Terra à procura de uma pessoa verdadeiramente boa e encontram em Chen Té um exemplo de altruísmo. Como recompensa, dão-lhe dinheiro para começar uma nova vida.

Feliz, ela abre uma pequena loja. No entanto, a sua bondade rapidamente se torna um problema: pessoas necessitadas, vizinhos oportunistas e conhecidos começam a aproveitar-se da sua generosidade, explorando-a e abusando da sua incapacidade de negar ajuda, levando-a quase à ruína. Para conseguir salvaguardar-se e sobreviver num mundo injusto, Chen Té decide inventar um alter ego: uma identidade mais dura e autoritária que a defenda do seu bom coração. Viverá dividida entre a sua bondade e a necessidade de agir com firmeza num mundo injusto. Mas será que conseguirá proteger-se e resistir?

PINÓQUIO

No espetáculo musical “Pinóquio” Fernando Gomes reinterpreta a clássica fábula de Carlo Collodi explorando não apenas a jornada de um menino de madeira em busca de transformação, mas também as complexidades da natureza humana, da moralidade e do crescimento pessoal. A narrativa segue Pinóquio, uma marioneta que ganha vida e se vê diante de um mundo repleto de dilemas éticos, amizades transitórias e a busca incessante por aprovação. Ao longo de sua jornada, ele enfrenta figuras emblemáticas, como o sábio Grilo Falante, que simboliza a consciência e a razão, e a Fada Azul, representando os valores de amor e esperança. O espetáculo utiliza uma rica estética visual e uma linguagem poética para discutir a dualidade do ser humano: a luta entre a ingenuidade e a sabedoria, entre o desejo de liberdade e as consequências das escolhas. As experiências de Pinóquio — desde as tentações que enfrenta até às suas falhas e aprendizagens — tornam-se uma metáfora para a jornada de todo o público em busca de identidade e propósito. Além das interações cativantes e dos momentos de humor, “Pinóquio” provoca reflexões sobre a veracidade, a mentira e o significado do que é ser “humano”. Esta abordagem multidimensional do conto cativa tanto crianças quanto adultos, permitindo uma apreciação profunda das lições que transcendem gerações: a importância da honestidade, o valor da educação e do conhecimento, as consequências das próprias escolhas, a importância da responsabilidade, valores sobre amizade e lealdade, a transformação interior e a resiliência.